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MÃES, AÇÃO E DOAÇÃO
   Segundo domingo do mês de maio, Dia das Mães. Data excelente para repensarmos algumas atitudes nossas, sendo até redundante falar aqui da importância dessas mulheres na vida de cada um de nós. O Brasil todo sabe da situação extremamente grave pelo qual está passando nosso estado do Maranhão. Não sei o que a maioria das pessoas fazem (provavelmente nada ou quase nada!) por aquelas necessitadas. Vou falar do que eu fiz, deixando um pouco a modéstia de lado, coisa que não gosto! Junto à Fundação Pró-Natureza, na pessoa do nosso amigo Tibi, e contando com o apoio de Bruno Fonseca (advogado e meu irmão), fizemos uma breve campanha de arrecadação de doações para composição de cestas básicas, que durou pouco mais de uma semana. Doações apenas de conhecidos, colegas de trabalho, amigos e quem queria colaborar, mesmo nem sabendo onde fica Pindaré-Mirim.
   Conseguimos 151 cestas. Montamos a logística para entrega, cadastro das comunidades um dia antes (com visita aos locais). A lancha achou de quebrar justo nesse dia. Mudança de estratégia. Pegamos canoas dos ribeirinhos (todos muito solidários), colocando apenas gasolina no motor e uma cachacinha no piloto (rsrsrs). Enchemos de cestas, embarcamos e subimos rio acima. Muita água, muita água mesmo. Uma equipe de TV nos acompanhou, tendo a jornalista ficado admirada com o que viu. O que seria apenas uma matéria virou três.
   É impossível descrever com palavras a gratidão expressa nos olhos dessas mães, e respectivas famílias (dominadas por dezenas de crianças), no momento de uma ação dessas. O excesso de água traz, ironicamente, a miséria consigo. Não há mais plantações (roças), o peixe escasseou e estas pessoas estão isoladas. É uma visão ainda estranha pra mim (apesar de morar aqui já há quase sete anos), nascido e criado nos sertões nordestinos, onde a seca impera a maior parte do ano e a água, por isso mesmo, é um bem raro.
   Não tenho dúvida alguma de que este foi o melhor Dia das Mães da minha vida, apesar de estar longe da minha. Porém, este também foi o presente dela e, conhecendo-a como conheço, tendo certeza que ela adorou. Através de uma pequena ação que tomou uma ínfima parte do nosso tempo nesse corrido dia-a-dia, conseguimos fazer 151 famílias felizes e tendo o que comer pelo menos por uns dias, coisa rara neste momento de tragédia e, para alguns, cotidianamente.
   Gostaria que esse nosso ato servisse um pouco de exemplo e abrisse os olhos das pessoas. A miséria mora ao lado, não apenas em momentos como esse. Ela é onipresente em nosso país. Façamos algo, deixemos a teoria de lado. Digo com conhecimento de causa que é fácil, o custo é pequeno e o retorno não tem preço.
   
   Rômulo Fonseca da Silva
   Santa Inês, 13 de maio de 2009



19 de Maio de 2009.

O DOM DA FELICIDADE
Por Rômulo Fonseca da Silva

   
   É inegável que as pessoas nascem com certos dons que as possibilitam fazer coisas que a maioria não consegue. Se olharmos, por exemplo, a grande parte dos músicos não tem formação musical formal. Eles já nascem com o dom para a música e para tocar certos instrumentos, muitas vezes complicados. Os gênios nascem gênios. O que se pode fazer é lapidar os dons que herdamos, sabe-se lá de que parte de nossa árvore genealógica. Há, no entanto, um que acredito todos nós possuirmos: o dom da felicidade. O problema é como achar esse dom oculto dentro de nossas almas.
   Nós seres humanos somos e estamos nos tornando cada vez mais exigentes. Forçamos nossos corpos e mentes diariamente com exigências pesadas, querendo muita coisa ao mesmo tempo, o melhor emprego, a melhor companhia, o corpo perfeito, dinheiro, casa, carro, roupas da moda, etc. E, como não se pode ter tudo, vivemos frustrados. Acredito que a felicidade completa, total e a tempo integral não deva existir mesmo, porque sempre haverá algo que nos incomodará no trabalho, na vida pessoal, na família, nos momentos de aperto financeiro e emocional. Mas ela estará sempre lá, dentro de nós, escondida, quietinha, esperando nossa atitude pra desabrochar.
   Já tive vários exemplos, quase todos surpreendentes, de como é possível encontrar a tal felicidade. Dia desses alguém me disse muito sinceramente que era feliz porque tinha uma cama pra dormir e um teto pra onde podia voltar no final do dia. Essa pessoa morava só, não tinha parentes por perto e era solteira. Além de tudo, extremamente pobre. Foi um verdadeiro soco no estômago. Passei dias me perguntando, tentando entender como isso era possível. Após esse episódio, passei a dar um pouco mais de valor ao que tenho e a me dizer quase diariamente o quanto temos tudo pra sermos felizes e muitas vezes não percebemos.
   Noutro caso, estava participando de uma reunião de trabalho na qual havia um palestrante. Certa hora ele distribuiu uns bombons para poder realizar uma dinâmica de grupo. O meu companheiro do lado imediatamente começou a comer o bombom e eu falei: olha esse bombom não deve ser pra comer agora e sim mais tarde na hora da dinâmica. Prontamente ele respondeu: cara eu não sei se daqui a 5 minutos estarei vivo. É melhor comer logo. Achei que fosse brincadeira, mas ele falou sério. Era uma pessoa extremamente alegre e divertida e, ao que parece, dá muito valor a vida que tem.
   Não é necessário ir muito longe para descobrirmos o quão é importante valorizarmos o que nos cerca, a família, os amigos, colegas, o trabalho (qualquer que seja ele), a natureza, a chuva e o sol. Precisamos deixar urgentemente de sermos egoístas, individualistas. No meu entendimento bastante particular, acredito de verdade que a felicidade está em procurar fazer os outros felizes e não a você mesmo, pois indiscutivelmente uma coisa levará à outra. É o chamado “amor ao próximo” tão difícil de ser entendido. Deixemos ainda o orgulho de lado, o medo de pedir desculpas. De vez em quando faz bem darmos a outra face para bater.
   
   
   
   



22 de Abril de 2009.

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